Costa diz que UE não quer ser mediador de negociações para fim de guerra na Ucrânia

Costa diz que UE não quer ser mediador de negociações para fim de guerra na Ucrânia

A União Europeia não tenciona ser um mediador em caso de negociações de paz para pôr fim à guerra na Ucrânia, uma vez que está ao lado de Kiev. Posição assumida pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa.

Inês Moreira Santos - RTP /
Olivier Hoslet - EPA

O presidente do Conselho Europeu esclareceu que o objetivo é criar um canal diplomático com Moscovo para não depender de intermediários para “interpretar as mensagens russas”, no âmbito de eventuais negociações de paz com Kiev.

“A União Europeia (UE) não é, nem tencionamos ser, mediadores” entre a Rússia e a Ucrânia
, afirmou Costa, acrescentando, porém, que o bloco comunitário tem de ser capaz de transmitir as suas próprias mensagens a Moscovo.

Uma proposta diplomática ao Kremlin por parte do presidente do Conselho Europeu expôs divisões na cimeira de líderes da UE sobre como lidar com as relações com a Rússia. Numa conferência de imprensa após a reunião, Costa disse que não havia "sinais credíveis" de que a Rússia quisesse envolver-se em negociações sérias. 

"O que estou a fazer através do meu gabinete é estabelecer um canal diplomático, porque não podemos depender apenas de outros para interpretar as mensagens russas e devemos ser capazes de transmitir à Rússia as nossas próprias mensagens", disse Costa.

No final da reunião do Conselho Europeu, em Bruxelas, o antigo primeiro-ministro português lembrou ainda que “a UE está do lado da Ucrânia”.

“Temos estado ao lado da Ucrânia ao longo da guerra e estaremos com a Ucrânia depois da guerra”, reiterou, acrescentando que os diferentes intervenientes e esforços, como é o caso da coligação de países dispostos a dar garantias de segurança a Kiev no caso de um acordo de paz com a Rússia, “não são concorrentes mas sim complementares”.

O líder do Conselho Europeu referiu ainda que “apenas a Ucrânia pode negociar em nome da Ucrânia (…) mas, no que respeita às garantias de segurança, aos interesses da União Europeia, estes terão de ser defendidos pelas instituições europeias em conformidade com os tratados”.

António Costa defendeu ainda que esta iniciativa diplomática com o Kremlin tem como objetivo "ouvir" a Rússia antes de eventuais discussões sobre a Ucrânia.

"Infelizmente, o momento para negociar ainda não é oportuno. Mas, em todo o caso, precisamos de estabelecer esse contacto direto imediatamente, porque precisamos de os ouvir e trocar opiniões"
.
Divisões entre aliados europeus
Estes "contactos diplomáticos" entre o gabinete criado por António Costa e Moscovo, revelados na quarta-feira, causaram desconforto em algumas capitais europeias, segundo diplomatas em Bruxelas.

"A questão hoje não é quem, quando ou como devemos negociar com a Rússia", enfatizou o presidente francês, Emmanuel Macron, à imprensa.

"Os representantes das instituições e dos Estados-membros, que são fundamentais para as futuras garantias de segurança", estarão presentes na mesa das negociações quando estas se realizarem, explicou ainda o presidente francês.

Ou seja, o residente do Conselho Europeu, António Costa, em representação das instituições da UE, e os países europeus dispostos a garantir a segurança futura da Ucrânia.

O Chanceler alemão, Friedrich Merz, fez eco deste sentimento ao mencionar à imprensa a presença simultânea das instituições e de certos países da UE, como os reunidos no âmbito do E3.

“Estas são grandes potências europeias, e são também elas que contribuem significativamente para o apoio militar prestado à Ucrânia”, explicou Merz.

E quando chegar a altura das negociações, “naturalmente, é evidente que o Presidente do Conselho Europeu, António Costa, desempenhará um papel importante”.

Os líderes europeus sublinharam ainda a necessidade de falar a uma só voz com a Rússia quando chegar a altura, sem cair na “armadilha” de quem deve falar, como disse a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas.

“Mais cedo ou mais tarde, a Rússia terá de vir à mesa das negociações, particularmente sob a pressão das nossas sanções, e quando esse momento chegar, precisaremos de uma mensagem europeia unificada ao presidente Putin”,
disse a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Os líderes europeus voltarmm a reunir-se em Bruxelas, num momento marcado por duas crises centrais: a guerra na Ucrânia e a tensão com o Irão.

As negociações de paz com Teerão, previstas para a Suíça, foram adiadas, mantendo a instabilidade no Médio Oriente. Ao mesmo tempo, Volodymyr Zelensky voltou a pressionar a União Europeia para acelerar a adesão da Ucrânia.  O presidente ucraniano defende que a segurança futura da Europa está diretamente ligada à defesa de Kiev.

Os líderes europeus já saudaram o arranque das negociações de adesão, mas o processo continua dependente de critérios rigorosos.

C/agências
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